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• Procura de escritórios no primeiro trimestre do ano mantém-se dinâmica na Grande Lisboa, com a forte limitação de espaços a incentivar os negócios de pré-arrendamento
• Entre janeiro e março foram registados mais de 180 negócios de retalho, equivalentes a uma ocupação de 35.000 m²
• Volume de investimento entre janeiro e abril está perto dos €700 milhões, com o setor de retalho a representar quase metade deste valor.
• Mercado Industrial & Logístico deverá ser impulsionado pela expansão dos retalhistas alimentares e pelo e-commerce.
O mercado imobiliário nacional continuou a
evidenciar uma evolução positiva nos primeiros meses do ano, com a atividade de
ocupação e de investimento a registar um desempenho
em linha com o esperado, de acordo com a análise trimestral da Cushman &
Wakefield.
Não
obstante, a economia portuguesa começou 2019 com alguns sinais de abrandamento,
fator que não pode ser ignorado e que deverá refletir-se ao longo do ano no
mercado imobiliário. As estimativas da Cushman & Wakefield apontam para
algum abrandamento do crescimento em termos de atividade, que deverá
manifestar-se de forma ligeira na dinâmica da procura e de modo mais aentuado no
que se refere aos valores de mercado.
De acordo com Marta Esteves Costa, Partner e Head of Reserach da Cushman
& Wakefield, “Não esperamos uma inversão do ciclo de forte crescimento que
temos vindo a registar desde 2014, mas estamos convictos de que o abrandamento
no crescimento económico vai ter o seu impacto no setor imobiliário.
Salientamos que as nossas expetativas não são de queda, apenas de abrandamento
no crescimento.”
Escritórios: baixos níveis de desocupação pressionam subida das rendas
prime
No mercado de escritórios foram transacionados cerca de 42.000 m² de área
num total de 43 negócios entre janeiro e março deste ano, um valor que se
mantém em linha com o período homólogo e que dá continuidade aos níveis de
procura particularmente ativos registados ao longo de 2018.
A Zona 5 (Parque das Nações) concentrou 47% deste volume, tendo sido também
nesta zona que se verificou o maior negócio do trimestre, a compra (em forward funding) da nova sede da AGEAS
com 17.400 m². Seguem-se a Zona 2 (Central
Business District) e Zona 3 (Nova Zona de Escritórios) com 22% e 16% de
área transacionada, respetivamente.
A taxa de desocupação manteve a tendência de descida, atingindo os 5,3%,
com apenas 250.000 m² de oferta disponível em toda a Grande Lisboa. Considerando apenas os espaços
de qualidade superior, o valor da oferta disponível desce para menos de metade
deste valor. A forte limitação de espaços de escritórios de qualidade e
dimensão, principalmente na zona central de Lisboa, tem vindo a incentivar os
negócios de pré-arrendamento e a construção especulativa de novos projetos,
levando à subida das rendas prime em
todas as zonas do mercado, com exceção da Zona 1 que se manteve nos 21€/m²/mês.
Retalho: comércio de rua representa 74% do número de negócios registados
A atividade no setor de retalho durante os primeiros três meses do ano é
igualmente assinalável, com o índice de volume de negócios a atingir os 118
pontos em março, um crescimento homólogo de 5,4%. Entre janeiro e março foram
registados pela Cushman & Wakefield mais de 180 negócios de ocupação num
total de 35.000 m², com o comércio de rua a representar 74% da procura em
número de negócios, mas apenas 33% em termos de área.
Os centros comerciais agregam 16% da área ocupada, resultado da escassez de
espaço disponível nos principais centros. O setor dos Restaurantes & Cafés
terá sido o maior impulsionador desta procura com 50% da área transacionada,
seguido pelo Lazer & Cultura com 15%.
Industrial &
Logística: limitação de espaços condiciona atividade
O setor Industrial & Logístico deverá revelar em 2019 uma dinâmica mais
forte que em 2018, desde que garantida a necessidade de espaço dos vários
operadores que o procuram de forma ativa. Apesar da ocupação restringida a
7.000 m² até março, o ano de 2019 deverá refletir os efeitos de um mercado
impulsionado pela expansão dos retalhistas alimentares e pela crescente procura
de espaços de logística urbana em resposta ao crescimento expetável do
e-commerce.
Investimento: setor
de retalho concentra metade do volume transacionado
Após um ano recorde em 2018, com €3.000 milhões transacionados, entre janeiro
e abril de 2019 regista-se já um volume de investimento imobiliário que se
aproxima dos €700 milhões. O setor de retalho foi o mais dinâmico, tendo
contabilizado dez negócios e cerca de €350 milhões transacionados, equivalente
a quase 50% do total investido. O maior negócio do ano até à data foi a venda
do Leiriashopping por parte da Sonae a um fundo gerido pelos alemães da REEF,
por um valor de €128 milhões.
O mercado de escritórios concentrou 39% do total de investimento, com €266 milhões
transacionados e que incluem a venda do portfólio do Art's Business Centre e
Torre Fernão Magalhães à Merlin Properties por €112,5 milhões. Os setores
industrial e hoteleiro acomodaram, em conjunto, 10% do volume de investimento.
Adicionalmente, foi também registado um negócio de forward purchase de duas residências de estudantes em Lisboa e
Porto, concretizado pela Xior e que envolveu €28 milhões.